maio 12, 2007

April , 16 th 2007

O ar da manhã entrou em seu nariz, era quase frio, quase quente, quase.Viveu toda sua vida no quase, colocou-a na espera.
Seria feliz um dia, seria aceito um dia, seria completo um dia. Lia livros na língua que não era a sua, mas sentia-se bem neles; dentro das tragédias e das comédias, as palavras o confortavam, por causa disso, filmou-se e explicou-se (de sua maneira ).
Apertou o play , junto com o gatilho. Mas não, ainda não morreria, mataria.
Um, dois, parada para respirar, para pensar, e para se deslocar.
Os passos ocos ecoavam em seus ouvidos, e por uns instantes, os achou mais importantes que os tiros de outrora.Nada mais importava, a vida era mais do que aquilo, estava escrevendo seu romance, seu novel, sua história , afinal de contas.
E a conta continuava a somar, tres, quatro, cinco, seis - o que era a vida ? existia uma alma? para onde elas iam?- sete, oito , nove - o choro , o sangue, os ultimos suspiros, da onde vinham os suplicios? na incidencia da morte, perdemos o orgulho próprio?- dez, onze, doze - a arma virou a extensão de seu braço, e de seu ódio desmedido- treze, catorze... vinte, vinte e um - por que aquele sentimento não diminuira? por que ele não acabara que nem os cartuchos de munição?-vinte e dois, vinte e três... trinta, trinta e um - o número não estava completo, ele não estava completo.
Trinta e dois, o número certo. Sentiu seu próprio sangue escorrer, e teve aqueles segundos de consciência que separam a vida e a morte, não foi a sua redenção, não teve o seu perdão, não queria isso mesmo.
O som dos tiros finalmente cessou...

Um comentário:

Bruna disse...

oi amore... Que é isso menina, tem andado meio perturbada? rs* Mesmo assim gostei... Eu tbm sou... E linda a homenagem embaixo!! Afinal quem não ama o Cartola? Bzinhus